9.08.2012

Não é lixo não!!

Capa da revista Nature de
Fevereiro de 2001: o sequenciamento
do genoma humano em evidência.

Me lembro como se fosse hoje, o dia em que o rascunho do sequenciamento do genoma humano se tornou público: 3 bilhões de bases e cerca de 30 mil genes (hoje fala-se em 22 mil)... cogitava-se algo em torno de 140 mil, afinal somos humanos, somos complexos...mas não tanto como imaginávamos, já que uma mosquinha da banana (Drosophila melanogaster) tem cerca de 13 mil genes...Na verdade já sabíamos que a complexidade de uma espécie não é proporcional ao número de genes presentes em seu genoma, mas sim às diferentes combinações que eles podem fazer para gerar diferentes proteínas, este processo é conhecido como processamento de RNA, e foi descoberto na década de 70. 
OK, mas outra curiosidade oriunda do mesmo trabalho intrigava milhares de cabeças de cientistas de todo o mundo: apenas cerca de 2-5% de todo esse mundaréu de letrinhas continha informação codificada, ou seja, informação que quer dizer alguma coisa útil para as células, o restante seria algo como DNA- lixo! Para entender melhor, imagine-se comprando um livro e quando você o abre percebe que 95% dele está escrito com uma combinação de letras que não faz sentido algum. 
Capa da última revista Nature:
 jogando o DNA-lixo no lixo!
Pouco tempo depois, discussões a respeito da função desse material eram amadurecidas, acreditando-se que ele provavelmente exercia algum tipo de função reguladora, e que seria evolutivamente improvável que fosse constituído apenas de "DNA-lixo". 
Foi então que durante essa semana o britânico Ewan Birney, líder do megaconsórcio de cientistas chamado Encode, e colaboradores publicaram o que suspeitavam: O DNA-lixo não é lixo não! Cerca de 80% daquelas sequências tem função reguladora da expressão dos genes- atuando como interruptores, ligando e desligando genes nos diferentes tipos de células, caracterizando sua identidade funcional ou em diferentes períodos da vida... enfim, útil e nada fútil.
Em entrevista ao Estadão, a famosa geneticista Mayana Zatz, diz que  esses dados abrirão muitas perspectivas de tratamento, apontando para novos alvos genéticos fora das regiões codificadoras e melhorando o entendimento de como o genoma funciona de uma forma geral.
Leia mais sobre a matéria e a entrevista  AQUI!

Beijos da Prof.ª!!

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